POEMA PRA MEIA NOITE
É meia noite quando a luz se apaga, saudade vem me procurar sem medo.
Estrelas são enfeites pras janelas, a lua guarda todo esse segredo.
Quando as estradas são miragens turvas, quando o teu nome, enfim, é proibido.
E quando apenas o calor da alma são só lembranças de um tempo esquecido.
É meia noite de calar-se insone, e meio é o tempo que te distancia.
O teu olhar é estância em plenitude, o meu amor é luz em poesia.
A noite é um consolo repentido a desgastar-se pela ausência breve.
O tempo é faca que cortando lenta, sangra a demora que em em ti descreve.
É meia noite e no galpão dos sonhos um mate vem amadrinhar o agosto.
As mãos se encontram silenciosamente e de repente corre um "sal" no rosto.
Um beijo demorado toma conta, do rancho em prece, que se enterneceu.
E a saudade que minh'alma tinha, tornou-se a luz que em ti se concebeu.
É meia noite e as horas adormecem e junto à ela tecem madrugadas.
Do amor calado, da saudade turva e um violão que teima em dizer nada.
É meio o sentimento interminável que dividiu-se em dois pra te esperar.
Um vive pelo o dia campo à fora, o outro à meia noite a te buscar.
José Augusto Ferreira
21/12/2013
Verão
Dom Pedrito/RS