QUANDO A CHUVA FEZ MORADA NAS JANELAS
(José Augusto Ferreira)
Então a chuva fez morada nas janelas, lá no rincão onde a saudade fez
abrigo,
Onde se via ao longe um verde mais liberto, e ao redor um povoado mais
antigo.
O céu mudou a sua cor - silencioso - e acinzentado, ganhou forma
enternecida,
Num fim de tarde onde o campo esperançava a chuva fina para o pasto
ganhar vida!
Pedrinho 'pampa' olhava a chuva cair mansa, quase um retrato inacabado
em nostalgia,
Pois refletia uma saudade em cada pingo e seu silêncio tinha espera e
poesia...
E foi assim que a distância tomou forma e tinha um mundo - entre rancho
e céu cinzento -
Uma tristeza que aos poucos foi embora e uma espera a segredar cada
lamento...
Ele era vento, era campo e águas calmas - uma ausência que transborda
em solidão...
Mas tinha n'alma um recomeço e outra estrada - pra quando a vida lhe
mostrasse uma paixão!
E tinha tudo que era seu, quando quisesse... Mas lhe faltava um abraço
e um sorriso...
Aquela chuva lhe ensinou que o tempo é sábio e só desaba quando sente
que é preciso...!
Pedrinho olhava a chuva mirando mais longe, imaginava um mundo pleno e
encantado,
Com um amor pra dividir seu rancho simples, enquanto encilha o mouro
pampa 'dos agrados'...
Voltava à si que debruçado na janela, plantava sonhos pra colher um
bem-querer....
E então fitava um sorriso que ali estava, se era real - só o tempo
podia dizer....
Então a tarde foi passando lentamente - junto com ela a chuva foi por
companhia...
E o sorriso que havia se arranchado, também se foi levando em si toda a
magia,
Mas Pedro agora era mais sonho e menos pampa - a calmaria transcendendo
o abstrato -
E o amor voltava a ser bem mais que a chuva - e a noite escura foi
moldando o seu retrato!
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