29 de novembro de 2013

Ainda que eu não saiba o teu nome!



E um dia, em algum escrito rupestre, vou compreender porque a água do meu mate, esfria antes mesmo de pronunciar o teu nome em silêncio, como um encanto em desatino. Ainda que não saiba o teu nome, eu imagino, como uma saudade lancinante.
Na estrada onde o horizonte é mais perto, a brisa mais espessa e a alegria de chegar, transcende a alma, as casas, o galpão e um resto do arvoredo que sobrou do forte inverno.
Prometi, me benzendo no açude da estância, que ainda que meus dias terrunhos fossem provas de dissonância, eu faria o meu caminho à espera da primavera, sem dor, sem lamento, em teu nome de acalanto, em tua paz de cinamomo. A desconhecida sensação do inevitável, num fim de tarde, no pago em canção.
Te jurei de pés descalços, um poema pela noite, um mate pela manhã.
Sem deixar cair dos olhos uma lágrima que fosse, com o chapéu em minhas mãos.
Hoje venho com a voz em sussurro, bendizer o destino, pra aceitar em minha vida, o que ainda não sei, que ainda não senti, que ainda nem quis ao certo.
Vou libertar-me do acaso e procurar um lugar, onde eu acampe meus dias, num poso bem mais tranquilo, na garupa levo a viola, um pedaço de papel, uma lua prateada e uma estrela lá do céu!

29.11.2013
Primavera/2013
Novembro

7 de novembro de 2013


E se a saudade emponchar a noite ? 
No último fio de inocência, da lã terrunha em lembranças, haverá sido teu rosto, a cobrir-me inteiro em pecado ?
Será o apelo mais gasto, do sentimento em segredo, da dissonância em poema, que me afastaste de ti ?
E eu fiquei por aqui, na espera que não veio, na antemão do receio, a me queixar pras estrelas...
Deu saudade do sorriso, do abraço demorado, do silêncio inacabado, da luz por sobre meu quarto.
Em paz. Na paz da lua e das estradas, nunca esqueci teu nome, nas longínquas madrugadas.
Não te ganhei primavera e te perdi tão inverno.
E te senti tão distante e me senti em tuas mãos, a padecer repentino na ilusão transitória.
E volta agora em memórias pra me inspirar novamente.
Como que a chuva desaba em meu jardim solitário, se a semente do amor, levaste inteira contigo ?
Me explica como a saudade, fez em mim o teu ranchinho, pra te amar assim, sozinho, percorrendo o corredor ?
E me diz como esse amor, que mescla a paz do passado, e um presente inacabado que se turva em teu olhar ?
Será que vamos estar daqui uns anos, talvez, num retrato amarelado, de bronze antigo que guardo numa estante, emoldurados ?
Ou vamos trocar as fotos, pelos fatos consumados, num galpão num fim de tarde, pra bendizer a saudade, que viverá em nós dois ?

E se a saudade emponchar o dia? 
Saberás viver a espera, a vagar pelos caminhos ?

José Augusto Ferreira 
Novembro/2013
Primavera - Lua Nova