7 de novembro de 2013


E se a saudade emponchar a noite ? 
No último fio de inocência, da lã terrunha em lembranças, haverá sido teu rosto, a cobrir-me inteiro em pecado ?
Será o apelo mais gasto, do sentimento em segredo, da dissonância em poema, que me afastaste de ti ?
E eu fiquei por aqui, na espera que não veio, na antemão do receio, a me queixar pras estrelas...
Deu saudade do sorriso, do abraço demorado, do silêncio inacabado, da luz por sobre meu quarto.
Em paz. Na paz da lua e das estradas, nunca esqueci teu nome, nas longínquas madrugadas.
Não te ganhei primavera e te perdi tão inverno.
E te senti tão distante e me senti em tuas mãos, a padecer repentino na ilusão transitória.
E volta agora em memórias pra me inspirar novamente.
Como que a chuva desaba em meu jardim solitário, se a semente do amor, levaste inteira contigo ?
Me explica como a saudade, fez em mim o teu ranchinho, pra te amar assim, sozinho, percorrendo o corredor ?
E me diz como esse amor, que mescla a paz do passado, e um presente inacabado que se turva em teu olhar ?
Será que vamos estar daqui uns anos, talvez, num retrato amarelado, de bronze antigo que guardo numa estante, emoldurados ?
Ou vamos trocar as fotos, pelos fatos consumados, num galpão num fim de tarde, pra bendizer a saudade, que viverá em nós dois ?

E se a saudade emponchar o dia? 
Saberás viver a espera, a vagar pelos caminhos ?

José Augusto Ferreira 
Novembro/2013
Primavera - Lua Nova

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