18 de março de 2011

-- Trovão e Gente --

Trovão e gente!

Sabe quando eu era criança, tinha alguns receios propícios da idade, de certa forma é algo natural, acontece de maneira quase que igual com todas as pessoas nessa fase.
Lembro de muitas coisas na infância, mas uma delas que tenho saudade sem tamanho, é o banho de chuva, com os amigos na frente "das casas", confesso que hoje  nem enxergo quase...
Mas o fato é que tinha sempre receio dos barulhos dos trovões, ainda mais porque quando se é criança se imaginam mil coisas das quais podem originar um som tão forte, de presença, tinha medo mas ao mesmo tempo tinha a vontade de tomar "aquela chuvarada" que era bem mais forte do que qualquer outra coisa que pudesse amedrontar...
Mesmo que o barulho perturbasse de alguma forma, eu estava lá, feliz, sozinho ou acompanhado, me divertindo e brincando na terra, com os pés descalços, com chuva no rosto, na pele.... e até no "coração"!
Hoje em dia não é tão comum ver chuvas como aquelas, marcadas pela troca de estação, ou até mesmo de um fim de tarde abafado, nem é mais comum ver as pessoas aproveitando de maneira simples a água da chuva!
Bom o fato é que com o passar de alguns verões, meus pensamentos são outros, logicamente pelo amadurecimento inerente, pela experiência já adquirida... mas a falta que acho de dias como aquele, é um sentimento vivo e constante em minhas lembranças.
Pra falar a verdade hoje continuo com alguns receios, até mais pra dizer a verdade, o que também é natural tendo em vista que as responsabilidades aumentam consideravelmente com o passar dos dias, a rotina hoje é outra, troquei meus pés descalços por "sapatênis", foi ao longo do tempo sendo trocadas brincadeiras por compromissos...
Intrigante mesmo é o fato de que hoje as coincidências com as "emoções" são praticamente as mesmas, ainda sinto receio de algumas "sonoridades", só que de outra maneira hoje o que me assusta são "barulhos das pessoas", como se trovejassem pro mundo suas amarguras interiores, suas decepções ou suas vaidades, de maneira que as coisas deveriam ser sempre do modo que pensam ou querem, sem se importar com os "amigos" ou com as pessoas ao redor, como se não tivessem sido crianças ao menos um dia, e nem ao menos recordarem de quantos amigos a gente pensava em fazer e compartilhar, claro a realidade é outra, mas os sentidos são os mesmos, quem guardou esses sentimentos com certeza faz uso deles em qualquer momento da vida, porque é necessário e benéfico.
Sabe as vezes sinto saudades dos trovões, porque eles avisavam sempre quando iam chegar, a gente sabia de que forma reagiriam e até os barulhos que eles iam emitir, mas tenho receio das pessoas, porque muitas vezes se intrometem sem avisar, querem ter o controle da situação a todo o custo, nunca sabemos no fundo como reagirão, muito menos a intensidade dos sons que vão expressar...
Os trovões apenas seguem o seu instinto natural, obedecem a lei do ambiente, e refletem apenas a sua forma mais verdadeira de se impor, apenas ocupando o espaço que lhe cabe, vive em harmonia com a atmosfera e quando se faz presente certamente carrega seus motivos particulares, em contrapartida as pessoas não seguem normalmente seu instinto natural, nem sempre obedecem a lei natural das coisas, e por vezes não utilizam de toda a verdade possível em suas relações, acabam por invadir o espaço que não lhe pertence, e desabam sem ter motivos particulares....
Sempre há exceções em todos os casos, é o que ainda mantém a esperança de reafirmar valores e manter laços de cooperação!
Trovão e gente são muito mais parecidos do que aparentam, mas por ora seguem caminhos opostos, enquanto um segue o instinto que lhe cabe, o outro troveja destituído de sentimentos...
Tenho saudade da MINHA INFÂNCIA!

14 de março de 2011

"O outro lado da noite...."


Não, não voltarei atrás depois de hoje
Não é escolha, é convicção!
Meus passos não permitem que eu ande ao eixo reverso da minha felicidade, do que um novo mundo me reserva...!
Meus olhos hoje não precisam de belas molduras, de telas exuberantes, de artes incontestáveis, do ilusório terreno da insegurança, precisam sim de ATENÇÃO, somente isso -ATENÇÃO!
Penso à todo o momento um jeito de entender porque ser ou ter as coisas mais simples se torna mais difícil do que aquelas que estão num patamar mais complexo...
Gastei algum tempo em torno de questões insolúveis, me fizerem amadurecer, em contrapartida não pude concluir nenhuma delas que fosse.
Não levo comigo nenhuma mágoa, ainda que também possa dizer que não carrego o "complemento" para o vazio dos meus dias, pelo menos nesse instante...
Essas últimas noites começaram a abraçar minha causa e talvez por isso tenham se invernado junto comigo, como velhas e inseparáveis parcerias que tenho e das quais compartilho meus segredos mais profundos.
Venho com a certeza que acordei de outra forma, disposto a encarar o que vier pela frente, sem combater, mas sim contornando os obstáculos...
Eu consigo ver minha felicidade logo ali, ninguém precisou me mostrar, enxergo com a alma de criança o que me foi permitido conhecer, num sentido mais puro, ao modo antigo, de ser feliz sem se impor ou ser atingido de maneira coercitiva.

O amor hoje mostrou-me as caras, quem sabe tenha sorrido pra mim, qual semblante branco em noite escura...


José Augusto Ferreira
 11, 14 de Março de 2011
Verão
Bagé e Dom Pedrito

11 de março de 2011

Teoria do amor inconstante...!

Há um canto que escuto sempre, anda desperso e inquieto...
Fala de coisas que sente, se cala quando me vê...
Mas diz sem perceber, que há muito anda carente....

Há um sonho que andeja breve, procurando um caminho...
Invade a casa vazia, diz pra mim a dor que carrega,
E assim mesmo não entrega, nem na hora da sangria....

Há uma paixão solitária, forjada apenas de um lado....
Sente a ausência dos mates, da hora do sol se por,
Da imensidão do amor, que por ora, assim repartes...

Há quem diga disso tudo, que não passa de vaidade...
(Alguém que chora baixinho, num canto quase esquecido),
Pois o amor é dividido e não se forja sozinho!

3 de março de 2011

Versos de Quinta...

Naquela Tarde de Abril

A solidão é uma rédea que nos dita as coordenadas
E quando manda na gente, trás a dor apresilhada...!
Consome o tempo, se achega e faz morada na alma...
Mas se abranda em cada gesto, nos mates de hora calma...

Um fim de dia apontava naquela tarde de abril...
Quando a saudade emponchava, provando o gosto do frio
Mas olhares de acalanto cruzaram então meu destino...
Pra calar minhas angústias, nascendo um amor repentino...

Me lembro de forma clara, os olhos com luz contida
Iluminando os caminhos, qual paixão pra toda vida...
Senti neles a essência, com instinto de ternura...
E foi tomando o meu jeito, preenchendo a alma pura...!

Felicidade e utopia, na imensidão me contaram...
Um segredo que guardei, pelos dias que passaram...
Mas de forma inesperada, na nuvem foi se afastando...
A estrela que cuidava, quando a noite ia chegando...

Ficou triste as madrugadas, sem a luz que um dia tive...
Compreender é um mistério, que até hoje em mim revive...
Ainda vejo a estrada, que em minha rotina faz parte...
Mas sinto falta dos olhos, dos sonhos, daquele mate...

E o perfume perdura, cicatrizou-se em cada gesto...
A fragrância que ainda vive, também se mantém por perto...
Hoje choram aqueles versos, que levei junto comigo...
Naquela tarde de abril, que levou meu amor consigo...!


José Augusto Ferreira
Março, Verão 2011.

Tempo de Invernar....



Invernar é necessário, assim somos o que pensamos de fato...
De uma certa maneira invernamos, para ver o que se esconde quando o resto se torna verão...
Invernar é faculdade de quem observa em silêncio.
É condição de calar, mas se manter firme...
É quando o frio mostra a face sem esconder sentidos.
Invernar é um olhar mais amplo que vai cobrindo o pasto na forma de geada, quando a madrugada se alonga e se porta mais escura, transcendendo o acaso...
Quando o ato de invernar nos mostra seu semblante, nos deixamos levar pela sua intempérie...
Cálido, Inteligente, Calculista e Cadenciado...
O inverno é o prenúncio da manhã mais gélida, imponente e cerrada, daquelas que se impõe para trazer novas consciências e certezas, afirmando que amores ou ilusões fazem parte do nosso destino, das nossas estações.
Inverno transforma a alma, dilata os poros da canção....
Trança os versos de amor, se abriga à xerga da saudade...
Mostra os olhares e se arrancha no mate...
Dorme para acordar o que ficou à espera...
Quando bate à porta do sentimento, é MORTAL!


( Parece cedo, mas costumo me invernar cedito no más... hehehehehe)


José Augusto Ferreira
(02/03/2011 - Bagé)