Trovão e gente!
Sabe quando eu era criança, tinha alguns receios propícios da idade, de certa forma é algo natural, acontece de maneira quase que igual com todas as pessoas nessa fase.
Lembro de muitas coisas na infância, mas uma delas que tenho saudade sem tamanho, é o banho de chuva, com os amigos na frente "das casas", confesso que hoje nem enxergo quase...
Mas o fato é que tinha sempre receio dos barulhos dos trovões, ainda mais porque quando se é criança se imaginam mil coisas das quais podem originar um som tão forte, de presença, tinha medo mas ao mesmo tempo tinha a vontade de tomar "aquela chuvarada" que era bem mais forte do que qualquer outra coisa que pudesse amedrontar...
Mesmo que o barulho perturbasse de alguma forma, eu estava lá, feliz, sozinho ou acompanhado, me divertindo e brincando na terra, com os pés descalços, com chuva no rosto, na pele.... e até no "coração"!
Hoje em dia não é tão comum ver chuvas como aquelas, marcadas pela troca de estação, ou até mesmo de um fim de tarde abafado, nem é mais comum ver as pessoas aproveitando de maneira simples a água da chuva!
Bom o fato é que com o passar de alguns verões, meus pensamentos são outros, logicamente pelo amadurecimento inerente, pela experiência já adquirida... mas a falta que acho de dias como aquele, é um sentimento vivo e constante em minhas lembranças.
Pra falar a verdade hoje continuo com alguns receios, até mais pra dizer a verdade, o que também é natural tendo em vista que as responsabilidades aumentam consideravelmente com o passar dos dias, a rotina hoje é outra, troquei meus pés descalços por "sapatênis", foi ao longo do tempo sendo trocadas brincadeiras por compromissos...
Intrigante mesmo é o fato de que hoje as coincidências com as "emoções" são praticamente as mesmas, ainda sinto receio de algumas "sonoridades", só que de outra maneira hoje o que me assusta são "barulhos das pessoas", como se trovejassem pro mundo suas amarguras interiores, suas decepções ou suas vaidades, de maneira que as coisas deveriam ser sempre do modo que pensam ou querem, sem se importar com os "amigos" ou com as pessoas ao redor, como se não tivessem sido crianças ao menos um dia, e nem ao menos recordarem de quantos amigos a gente pensava em fazer e compartilhar, claro a realidade é outra, mas os sentidos são os mesmos, quem guardou esses sentimentos com certeza faz uso deles em qualquer momento da vida, porque é necessário e benéfico.
Sabe as vezes sinto saudades dos trovões, porque eles avisavam sempre quando iam chegar, a gente sabia de que forma reagiriam e até os barulhos que eles iam emitir, mas tenho receio das pessoas, porque muitas vezes se intrometem sem avisar, querem ter o controle da situação a todo o custo, nunca sabemos no fundo como reagirão, muito menos a intensidade dos sons que vão expressar...
Os trovões apenas seguem o seu instinto natural, obedecem a lei do ambiente, e refletem apenas a sua forma mais verdadeira de se impor, apenas ocupando o espaço que lhe cabe, vive em harmonia com a atmosfera e quando se faz presente certamente carrega seus motivos particulares, em contrapartida as pessoas não seguem normalmente seu instinto natural, nem sempre obedecem a lei natural das coisas, e por vezes não utilizam de toda a verdade possível em suas relações, acabam por invadir o espaço que não lhe pertence, e desabam sem ter motivos particulares....
Sempre há exceções em todos os casos, é o que ainda mantém a esperança de reafirmar valores e manter laços de cooperação!
Trovão e gente são muito mais parecidos do que aparentam, mas por ora seguem caminhos opostos, enquanto um segue o instinto que lhe cabe, o outro troveja destituído de sentimentos...
Tenho saudade da MINHA INFÂNCIA!
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