Morri um pouco hoje, mas não foi de amor, que lástima...
Padeci sem querer num pedaço de chão sem dono, de sentimento sem razão.
Chorei sem demonstrar sofrimento,
É como estar com um frio dentro de si e pegar toda à chuva que atravessa a estrada.
Não me fez melhor, nem me senti melhor, é diferente, estar bem e parecer bem.
Um dia morri de amor, faz tempo, tenho saudade e quem não tem saudade do tempo que poderia chamar de amor o que realmente era sentimento?
Hoje eu morro, nem tanto por sua falta, mas por sua descrença contemporânea.
Não tenho coragem de matar um pouco desse sentimento que ainda tem em mim.
Mas padece junto à um resto de outono, dolorido...
Morri bem mais que ontem, matou-se um silêncio torturante.
Pena que não foi de amor, pena que não foi de saudade...
José Augusto Ferreira