31 de maio de 2011

Idéia Breve!

Talvez tenha sido moldado da maneira mais crua a dor da solidão.
Mas eu bendigo o aprendizado, não o sofrimento...
Se hoje sento com meus amigos pra tomar um mate, agradeço...
Pra mim é o que atualmente tem de mais valor na minha vida.
Não me estabeleço por conceitos e sim por experiências.
De quem entende que é melhor errar querendo acertar, do que nem tentar...
Admiro atitudes e não palavras, prefiro ser eu mesmo, do que igual a tantos...
Me fiz amargo ao proteger meu coração do sofrimento...
Se souber chegar até ele novamente, ele estará lá
Mas agora não depende só da minha vontade!




Projeto Literário  - De Dentro - Divisão: Do amor Calado - 
José Augusto Ferreira
Maio - Outono/2011

25 de maio de 2011

Confissão de campo...

 - E assim passaram algumas primaveras, e lá estava..
Como se quisesse entender o que havia ocorrido com seu destino...
Entre alguns mates, se pôs a pensar que algumas coisas em sua vida aconteceram fora de lógica...
Costumava rotineiramente se queixar de seus problemas, por menor que fossem eles..
Semblante cisudo, xucro e fechado, escondia um coração cheio de sonhos.. com alguns meio aos pedaços...
Mas era ele atravessando várias eras, vários tempos, fazendo um caminho por dentro de si mesmo, procurando decifrar, o que não conseguiu durante alguns anos...
O cusco era o mesmo, já mouro, continuava também no seu ofício de companheiro, de todas as horas, talvez a unica compania que lhe fosse fiel desde o início, sempre ao seu lado, em todos os momentos...
O rancho sempre foi o mesmo desde a infância, até que mais taludo, acabou descobrindo "o tal do amor" que pra ele é  "bicho caborteiro, que se achega, pedindo doma, mas que é traiçoeiro...
Pode não te acusar o golpe, mas consegue levar a queda em segundos..."
Sempre pensava e repensava, que como alguém que era totalmente dependente do "bicho caborteiro", hoje não queria nem o ver chegar na porteira...
Eram muitas perguntas, poucas respostas, e assim foi toda a manhã.. entre mates e lembranças...
As impressões que carregava em seu interior era reflexo de um período inteiro...
Hoje era ele mesmo e a solidão, o vazio dos dias, o silêncio do rancho antigo...
O violão ainda era o mesmo, com cordas já gastas, mas com canções habituais a entoar silente...
Mas um dia sentado num banco rude de madeira, e ao abrir uma caixa antiga encontrou um papel amarelado...
Deduziu ser do seu Avô, afinal foi uma das poucas coisas que deixara no rancho antigo...


Nele continha as seguintes frases:


"Feito de barro e carinho, com mescla de amor e suor...
Num fundão de campo bueno, alma de terra e varzedo...
Morava peão e saudade, repartindo mate e silêncio...
Dividindo o mesmo espaço, entre ilusão e segredo!


Tinha o cusco por parceiro, fiel amigo pra os dias...
Em que a tristeza arranchava e invadia a frincha aberta..
Num galpão guardando sonhos que nasciam por metade..
E um canto de joão de barro preenchendo a alma deserta!


Se foram as primaveras, uma a uma, sem alarde..
E foi calando com a tarde o sentimento, o romance....
O amor foi canto e espera, a manhã e o arrebol...
Mas se vai hoje com o sol pra estar fora de alcance!


Nasceram mágoas no campo, nas flores e um resto amargo..
Mas a vida ensina sempre a viver sem guardar dor...
Sem respotas e caminhos, foi repensar seu destino...
Com a rudez no semblante, por pesar e dissabor...


Um dia olhou para o campo, viu que o verde ali estava
E viu que vida mostrava um caminho pra escolher...
Percebeu que tudo em volta perdeu o viço por ele...
O amor que então tivera - morreu por não florescer!


Aprendeu que sem dois lados não se alicerça uma história..
E hoje resta a memória de um amor que não vingou..
Um dia a vida nos mostra, que o sentimento é um legado
Se caminha acompanhado ou fica com o que restou!"








Ao terminar de ler aquilo, encheu seu olhos de lágrimas e começou a entender algumas dúvidas que nunca conseguiu responder...
O amor era mesmo um bicho caborteiro?
A vida tinha sido injusta?
Será que tinha medo de ser feliz? 
Então, guardou de volta na caixa o mesmo papel, e ao fazer o caminho do pátio até o interior do rancho... 
Se passaram cenas em seu pensamento...
Ainda assimilando o que aqueles versos tinham feito com a sua visão de vida...
Sentou, fez um mate bueno, acariciou o cusco "viejo", que parecia entender o que estava passando na sua mente naquele momento... 
Compreendeu que a sua vida era incompleta apenas por conta de si mesmo...
Foram vários mates ao longo dos dias...
O caminho segue... mas hoje se transformou por dentro...




Depois de duas décadas da sua infância é como se estivesse nascendo novamente...!




José Augusto Ferreira
Maio - Outono/11.

7 de maio de 2011

Pensamentos de Sexta....!


- O momento, a espera e o tempo -

Pensei muito esses últimos dias, sobre essas três palavras que considero essencial, o momento, a espera e o tempo. Tenho questionado diariamente como cada um age em meus pensamentos, tentei fazer uma síntese... A meu ver claro...

O momento é o período em que a gente vive muita coisa e nem sente, por vezes indecifrável, é a fração de um período necessário para que aconteçam inúmeras coisas das quais poderão ter as mais variadas consequências, é hábito, é frequente, amigo e traidor, ouço muitas pessoas dizer: "Báh, mas tu tem que ver que isso é momento", ou "Foi impulso, foi o momento", é realmente não é simples controlar a intensidade do momento nem o que ele forja, pode ser covarde com cada sentimento nosso e como pode ser alento, uma chuva boa de verão, ou um orvalho...
Meus melhores momentos foram aqueles em que as situações externas não tiveram influência direta sobre as decisões que foram tomadas, acho que aprendi que a melhor decisão é aquela onde a maior parte dos fatores "extracampo" se isola das predefinições para se achar soluções concretas, ou pelo menos encaminhar uma solução aceitável...
Os momentos em que tomei as decisões totalmente influenciadas pelos fatores alheios ao meu cotidiano, não tiveram êxito, nem cheguei a uma conclusão ou decisão satisfatória..., por vezes é altamente complicado a gente se "isolar" do mundo pra tomar uma decisão, em certas situações o mundo faz parte de tomada de decisões, mas as de origem pessoal são as que mais são afetadas por esse cenário, aconteceu comigo, por vezes acontece, é algo que estou aprendendo... e reaprendendo...
A espera no meu caso é uma faca de dois gumes, de um lado o fio perverso e dolente apontado pro "mundo" ou para as "pessoas" em geral, do outro o fio é cirúrgico e está direcionado no nosso sentido, a forma como se manuseia é a chave do sucesso ou do fracasso, não é fácil, requer mais do que habilidade, acho que o principal é sabedoria, inteligência e bom senso, o que também não é nada muito simples de encontrar em um estágio de equilíbrio.
Quando esperamos no sentido de resposta as coisas que fazemos, cometemos o erro de criar expectativas sem levar em consideração o fator "ser humano", acho que esse é o calcanhar de aquiles de qualquer relação, independente do grau a qual faz parte, seja no âmbito profissional, afetivo, familiar, enfim...
Pra mim a espera, é a amiga "indesejável", não me considero ansioso, mas me considero sonhador...
A espera é a troca de estação, temos uma ideia do que virá, mas não quer dizer que de fato será da forma que imaginamos...
O tempo é o senhor da razão, isso é fato, sempre ele vai ser o mestre, com certeza a determinante de todos os atos e fatos, das ações e reações, disso não tem como fugir, se a gente se esquiva dele, ele sempre acaba nos achando logo ali na curva, devemos em vez de enfrentá-lo, caminhar ao seu lado, é um risco bem menor que corremos quando aceitamos fazer compania ao seu espírito sábio... Do que quando não queremos nem levar em consideração que ele está em todas as coisas que há...
Ele é relativo, ele é injusto, ele cura todos os males, existem várias formas de colocar adjetivos nele...
Mas pra mim o tempo é aquele que chega pra orientar o que ficou perdido, recolocar as coisas no seu devido lugar, ajeitar o que está desarrumado, e dar finalidade a cada esperança plantada...
Engraçado como ele é certeiro ao ponto de fazer com que tudo seja no tempo exato, nem antes, nem depois... a gente tem o costume de reclamar o porque da vida ser assim ou assado, costumamos dizer: "não tenho tempo pra nada" ou "Báh não passa esse tempo", sendo que ele está apenas no lugar dele, agindo silenciosamente, enquanto isso estamos parados à espera das coisas que galgamos e que por acomodação não procuramos nem acentuar esforços na realização do que foi colocado como meta, ou como felicidade absoluta.
Fato: tempo desperdiçado não volta, tempo aproveitado é tempo que se ganha, pra aproveitar... E tempo mal aproveitado é espera e momento sem finalidade...
Nunca sabemos de fato se vamos achar o ponto de equilíbrio entre o que é o momento, espera ou tempo...
Mas...

“O momento é a hora do sol nascer, então faça dele o melhor cenário, pra cevar um mate bueno...
A espera da tarde chegar é a mais delicada, até lá o que fazemos pode se refletir em coisas boas ou não...
O tempo chega e convida a gente pra tirar as conclusões do que foi feito...
Acovardamos o momento?
Escravizamos a espera?
Culpamos o tempo?"

"O tempo é senhor da razão, é o prenúncio de dias melhores."



José Augusto Ferreira
Maio – Outono/11

3 de maio de 2011

Vilarejo


Num Vilarejo distante, do frio polar em teus olhos.
Traduz em sonhos a espera...
Que se invernou...

Casa pequena de tábua, que abriga sonhos antigos.
Perdida ilusão à dentro, onde deixei meus caprichos...
Por bem-querer...

Lá fora geada, entangue o pasto,
E sinto falta do aconchego, jeito simples...
Deixei me levar então...
Pelo Sorriso que encanta...
Na imensidão dessas horas, transpondo o muro do adeus...
Fui encontrar o meu rancho bem ali, logo ali...

E quase sempre nem falas cada vez que imagino...
Te faz presente no mate, na mesma cabana antiga...
Na mágica do acalanto, no vilarejo distante...


José Augusto Ferreira
Maio – Outono/2011

1 de maio de 2011

Meu Domingo...

Vou me permitir, colocar um trecho da letra da música de dois amigos meus: Fábio Peralta e Carlos Machado.


"Fiquei foi no vinho...
Somente com os olhos de ver meus olhares buscando terreno
Somente com as vozes sopradas ao vento buscando outras rimas...
Somente comigo e o triste compasso que sempre começa...
Com aquela distância que quer estar longe, mas nunca termina...!"




Na verdade estou utilizando esse trecho de música pra fazer uma menção ao momento na verdade...


"Fiquei foi no vinho, não de hoje, de tempos... Há tempos que reparto com a solidão.. cada gole...
Diante aos caprichos dos acontecimentos, preferi degustá-lo apenas por me sentir consolado...
Meus olhos continuam buscando terreno, terreno onde meus sonhos possam repousar em cada instante...
Apenas pelo instinto de fazer com que cada sentimento que plantei brote sem medo, sem receio, sem dor...
Na espera que não acaba, mas que teima em ficar me questionando a cada saudade que sinto...
Meus pensamentos, buscam as rimas pra composição que se renova... enfim, se renova...
O compasso triste, não determina mais quais as limitações da harmonia..., ela não precisa de compasso mais...
Ela se torna independente a partir de hoje... Ela começa sem precisar de incentivo, ela apenas toca....
A distância existe, talvez queira estar longe, talvez... , mas tenho certeza que ela termina, principalmente pela vontade incansável de torná-la inexistente... 
Fiquei foi no vinho, à beira de um fogo, à luz de um poema... à espera, do que pra mim hoje é realidade...
Não quero compartilhar mais com a solidão, mas quero compartilhar... olhando nos olhos..."


"Fiquei com saudade mas tenho a estrada que há tempos conheço, e se ela me espera, sei trilhar o caminho"