23 de setembro de 2011


Deu Saudade!

Deu saudade, assim por breve... se estendendo lentamente...
Dessas que por todo o dia nos invade em temporal...
Que quinchada de distância, nos invade silenciosa...
Pra calar com a chuva branda, que cai mansa no seival!

Deu saudade do teu cheiro, da manhã no quarto antigo...
Da fragrância que comigo faz lembrar o teu sorriso...
E daquelas canções nossas, do amor amadrinhado...
Pelo olhar emoldurado das paixões que em mim preciso!

Deu saudade do teu beijo, com gosto de fim de tarde...
Quando então corre em meu rosto, uma lágrima perdida..
Feito o sal de toda a angústia, da espera infindável..
E de um sonho inquebrantável por capricho desta vida!

Deu saudade da presença que me traz tranquilidade...
A paz leve e encantada de um abraço alentador...
Feito a brisa do inverno adentrando o rancho simples...
Terminando junto ao fogo, que aquece o nosso amor!

Deu saudade, e sempre ela, chega pra matear comigo...
Me entende e me conhece muito mais do que acredito...
Então durmo em meus silêncios, nostalgiando teus carinhos..
Pra te encontrar aos pouquinhos, num sonhar mais infinito...!


José Augusto Ferreira
Setembro - Primavera/2011
Dom Pedrito-RS






Foto: Bombeador Flickr - Crédito: Eduardo Amorim

11 de setembro de 2011




Das coisas da gente...


Um copo de vinho bebendo sereno na quincha gelada...
Retrata o silêncio que sonha solito na velha lareira...
Num rancho fronteiro que esconde segredos calando as geadas!
E sangra a saudade que mora no peito e rompe barreiras...!

(Um canto que espera...)

Um pátio que guarda um resto de ausência na árvore antiga...
Mesclando o cenário da tarde mais fria com a luz do acalanto...
O poema triste que nasce do pranto, do amor que se abriga
Na mesma varanda que vive às lembranças de todo o encanto...

(Sonhando acordado...)


E o sopro do vento que encontra meus olhos mais verdes que antes...
Naquela janela que avista a estrada – esperando então...
Parece que sinto tua alma tranquila e por um instante...
Percebo teus olhos que trazem silêncios de amor e paixão...


Um banco ancestral que se tornou cerne de um longo inverno...
À beira de um fogo que por primitivo refaz sentimentos
Das tantas histórias, dos sonhos mais doces, do beijo mais terno...
E dos mates buenos que bebem saudades e emponcham lamentos!

(Com a mesma saudade...)

Um resto de dia que dorme aos pouquinhos no rancho em ternura...
Que segue aquecido na leve magia do celeste amor...
Então cai a tarde, o frio logo chega com a noite escura...
Ficando com a ausência que dorme solita pelo corredor...! 

(Que não vai embora)!


(Um canto que espera, Sonhando acordado...
Com a mesma saudade, Que não vai embora)!





José Augusto Ferreira
Setembro, Outono 2011.


FOTO - Crédito: EDUARDO AMORIM