11 de setembro de 2011




Das coisas da gente...


Um copo de vinho bebendo sereno na quincha gelada...
Retrata o silêncio que sonha solito na velha lareira...
Num rancho fronteiro que esconde segredos calando as geadas!
E sangra a saudade que mora no peito e rompe barreiras...!

(Um canto que espera...)

Um pátio que guarda um resto de ausência na árvore antiga...
Mesclando o cenário da tarde mais fria com a luz do acalanto...
O poema triste que nasce do pranto, do amor que se abriga
Na mesma varanda que vive às lembranças de todo o encanto...

(Sonhando acordado...)


E o sopro do vento que encontra meus olhos mais verdes que antes...
Naquela janela que avista a estrada – esperando então...
Parece que sinto tua alma tranquila e por um instante...
Percebo teus olhos que trazem silêncios de amor e paixão...


Um banco ancestral que se tornou cerne de um longo inverno...
À beira de um fogo que por primitivo refaz sentimentos
Das tantas histórias, dos sonhos mais doces, do beijo mais terno...
E dos mates buenos que bebem saudades e emponcham lamentos!

(Com a mesma saudade...)

Um resto de dia que dorme aos pouquinhos no rancho em ternura...
Que segue aquecido na leve magia do celeste amor...
Então cai a tarde, o frio logo chega com a noite escura...
Ficando com a ausência que dorme solita pelo corredor...! 

(Que não vai embora)!


(Um canto que espera, Sonhando acordado...
Com a mesma saudade, Que não vai embora)!





José Augusto Ferreira
Setembro, Outono 2011.


FOTO - Crédito: EDUARDO AMORIM

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