28 de abril de 2013

QUANDO A DOR SE ESTENDE EM TARDES DE DOMINGO



QUANDO A DOR SE ESTENDE EM TARDES DE DOMINGO


Um dia desses, o silêncio atravessou a estrada,
Vestindo a mesma solidez de outros tempos.
Rondou o rancho em uma tarde de mormaço,
E trouxe a chuva nos seus olhos mais tristonhos...

E até parece que sabia as minhas mágoas,
Dessas que a gente guarda em simples descaminho,
Tranquei a porta pra não ver meu sonho em prantos,
Mas fez janela em cada fresta do meu mundo...

Entrou com “ares” de visita já esperada,
Mas ficou vendo o sal do rosto, ao perceber...
Que meu semblante carregado de saudade,
Foi posto à mostra sem ao menos eu querer...

Mas doeu menos que o fardo de outros tempos,
De quem na vida, acostumou-se a domar pingos,
Mas não aprende a embuçalar “amores tortos”,
Desses que a dor estende em tardes de domingo...!

Por um momento, eu vi sangrando os meus motivos,
Quase um lamento a transcender o rancho mudo,
Sentando à sombra de um silêncio malfazejo,
Mas que entedia meu segredo mais profundo...

Ficou apenas a ilusão a desgarrar-se
De uma espera que calou sem ter razão,
Restou um sonho, um pátio grande e o silêncio,
E a saudade a esporear pelo galpão...



José Augusto Ferreira
Abril/2013
Outono