QUANDO A DOR SE ESTENDE EM TARDES DE
DOMINGO
Um dia desses, o silêncio atravessou a
estrada,
Vestindo a mesma solidez de outros
tempos.
Rondou o rancho em uma tarde de
mormaço,
E trouxe a chuva nos seus olhos mais
tristonhos...
E até parece que sabia as minhas
mágoas,
Dessas que a gente guarda em simples
descaminho,
Tranquei a porta pra não ver meu sonho
em prantos,
Mas fez janela em cada fresta do meu
mundo...
Entrou
com “ares” de visita já esperada,
Mas
ficou vendo o sal do rosto, ao perceber...
Que
meu semblante carregado de saudade,
Foi
posto à mostra sem ao menos eu querer...
Mas
doeu menos que o fardo de outros tempos,
De
quem na vida, acostumou-se a domar pingos,
Mas
não aprende a embuçalar “amores tortos”,
Desses
que a dor estende em tardes de domingo...!
Por um momento, eu vi sangrando os
meus motivos,
Quase um lamento a transcender o
rancho mudo,
Sentando à sombra de um silêncio
malfazejo,
Mas que entedia meu segredo mais
profundo...
Ficou apenas a ilusão a desgarrar-se
De uma espera que calou sem ter razão,
Restou um sonho, um pátio grande e o
silêncio,
E a saudade a esporear pelo galpão...
José Augusto Ferreira
Abril/2013
Outono
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