Muito Além da Pátria Pampa!
Contemplo um resto de dia, escutando o canto antigo...
Com alma de invernia, que se aquece a cada mate...
O cusco baio do lado, caprichos, e um sonho bueno...
Parece que nada mudou do varzedo até a estância...
E que hoje o sonho em ânsia, acalantou os caminhos...
Pra bendizer os teus olhos, meu carinho mais sereno...
E tudo que foi plantado, junto à mágica dos dias..
Hoje me fazem costado quando a espera faz sombra...
E num sorriso me acalma, espantando a solidão...
O sol esconde o seu rosto, por detrás dos cinamomos..
O vento frio toma conta do lugar sem perceber...
E o rancho humilde carrega o calor de uma paixão...
Dois sentimentos que fazem do campo um só lugar...
Da lida simples dos dias, nos amores e intenções.
Dos agrados mais trigueiros, da flor que nasce do amor...
É como vejo os meus dias, que vão indo sem ter pressa.
Que se benzem em nostalgias, no silêncio do açude...
Mas te amam sem limites e atravessam o corredor...!
E é do jeito mais bueno que a fronteira se apresenta..
Num reencontro que a alma, nunca tratou de esquecer.
Junto à canção entoada, muito além da pátria pampa...
Traduzindo o azul celeste, como o céu que nos hermana...
Com alma de João de barro, que faz do ninho o viver...
De alma já renovada, mas mantendo firme a estampa...
Soy a vastidão do verde, que te quer por toda a vida...
Meu jeito simples pampero, se retrata em sentimentos...
Pra te ofertar o que tenho e na garupa levar-te...
As alpargatas surradas, que refletem a timidez...
E se tornaram tão gastas, pra te encontrar como prece...
Pra te falar dos anseios, da paixão que em mim plantaste...
Então hoje olho pro céu, que entende meus desejos...
Compondo então os arreios que me prendem ao Uruguai.
A pampa então se agiganta... No espelho do olhar...
Que ceva o mate da aurora, entre beijo e encantamento...
Começa a lida de novo, na paz do rancho que sente.
E faz a alma da gente se entender sem nem falar!
José Augusto Ferreira
Inverno, Julho 2011.