7 de novembro de 2011

Em preto e branco!


Hoje amanheceu em preto e branco,
Um alvorecer sem nostalgia...
Morrendo um pedaço da espera..
Junto ao pastiçal da alma vazia...

Hoje amanheceu em branco e preto,
E sem sonhos pra recomeçar..
Um silêncio insone ronda o rancho,
Que de mágoas veio a desabar...

Hoje em preto e branco amanheci..
Um retrato antigo e desbotado,
Feito a espora velha no galpão..
Com léguas e um sonho acorbertado...

Meio amarelado pelo tempo,
Hoje então quedei por meus amores,
E amanheci quase sem vida,
Por perder a essência de ver cores!

Hoje anoiteceu em preto e branco,
Um pouco mais morto adormeci,
Nas tristezas tantas da tropilha, 
Pela tropa grande me perdi...

Hoje anoiteceu em branco e preto,
Sou o que restou do meu passado..
E a saudade me pealou inteiro,
Me deixando verso inacabado!



José Augusto Ferreira
Primavera - Novembro/2011


















26 de outubro de 2011

Momento Desabafo...


NADA PODE SER MAIOR

Quebrou então o feitiço, de juras de amor eterno...
Daquele que um dia disse, que voltaria pra casa...
Se hoje nos resta mágoas, assim foi feita a vontade...
Do teu orgulho medíocre, da tua voz mascarada!

É bem verdade que os fatos, se contradizem por vezes...
Mas se omitiu a vontade, calando junto aos “mesquinhos”...
E foi passando com o tempo, o teu “gremismo” fajuto...
Que por um lote de pilas, matou o amor aos pouquinhos...

Não precisamos de “gênios”, que não dispõe de honradez...
Se vendendo sem pensar, por vaidade e mero encanto...
Queremos homens com garra, de fibra guapa e palavra...
Que grite em campo e que lute, respeitando o azul do manto...

O Grêmio é mais do que um “craque”, é um sentimento infindável...
E não vai nunca calar ante a corja mercenária...
Pois se o destino coloca frente a frente hoje de novo...
Verás então que o teu povo é passado da tua história...

Mas sou do Grêmio e só dele, meu Imortal Tricolor...
Cantamos todos com o amor, dividindo o mesmo céu...
Mas aqueles traidores que ainda julgam sem razão...
 - Que não me falem em paixão, quem não sabe ser fiel! –


José Augusto Ferreira
Outubro - 2011
Dom Pedrito - RS
(momento desabafo...)

22 de outubro de 2011

Nunca te vi de outro jeito..


Cantiga primaveril entoada sob os rastros sublimes de outros tempos, que se insere em cada acorde desse tempo...
Um perfume breve de campo aberto, das folhas em renascimento, da presença inconfundível em versos simples...
Por vezes apenas observo a mágica constante compreendendo que tudo que existe e que não está em nossas mãos é divino e não é por acaso..
Em alguns momentos procurei decifrar o que não era necessário...
Bastava apenas fechar os olhos e num estágio de introspecção entender que sabemos sempre o que nos faz bem e feliz muito antes até de tirar as conclusões definitivas...
Hoje tenho a certeza que nunca te vi de outro jeito que não fosse esse!
Do qual meus sentidos absorvem a essencialidade de um sentimento puro, simples e intenso...
Fizeste com que as primaveras de outros tempos se transportassem para os meus dias
Me sinto deitado à sombra daquela mesma árvore em que conjurávamos todos os dias o amor que compartilhamos até hoje...
A tranquilidade repousa sobre o que plantamos num passado distante, mas proporcionalmente perto dos nossos espíritos entrelaçados..
Nunca te vi de outro jeito, na verdade nem sei se exite outro porque nos resumimos em um princípio só, na simplicidade dos valores que buscamos...
É como a paz que se resume na brisa melodiosa e infinda que andeja por todo esse pampa, a sensação de encantamento indelével...
Pra mim nosso amor se resume em imensidão, como o universo, qual as estrelas que se agrandam na noite escura...
Mesmo que por vezes tenha que caminhar apressadamente na rotina impaciente dos dias que se vão e que me exige um lado mais sério...
Deixo o meu pedaço mais verdadeiro cuidando do rancho no nosso mundo comum..
Para que abra a janela todos os dias fazendo com que os fachos de luz entrem e iluminem a varanda grande...
Para que aqueça a água e ceve o mate do desejo, da entrega...
Para se nutrir da humildade e da compreensão diária...
Para roubar-te um beijo antes de sair pra lida...
Para que assim por toda a vida cumpra as juras do reencontro, se estendendo por outras eras..
Nunca te vi de outro jeito, te vi assim sempre, a mescla da simplicidade com a solidez..
Te vi um dia como o prefácio de um livro, como a semente de ipê, como o princípio do inverno...
Te vejo como a inspiração, como o florescer primordial, como as estações essenciais para o equilíbrio..
Talvez o mundo tenha mudado com o passar dos tempos, com os sucessivos quartos de lua..
Mas nunca te vi de outro jeito!


José Augusto Ferreira
Primavera - Outubro/2011
Dom Pedrito -RS














23 de setembro de 2011


Deu Saudade!

Deu saudade, assim por breve... se estendendo lentamente...
Dessas que por todo o dia nos invade em temporal...
Que quinchada de distância, nos invade silenciosa...
Pra calar com a chuva branda, que cai mansa no seival!

Deu saudade do teu cheiro, da manhã no quarto antigo...
Da fragrância que comigo faz lembrar o teu sorriso...
E daquelas canções nossas, do amor amadrinhado...
Pelo olhar emoldurado das paixões que em mim preciso!

Deu saudade do teu beijo, com gosto de fim de tarde...
Quando então corre em meu rosto, uma lágrima perdida..
Feito o sal de toda a angústia, da espera infindável..
E de um sonho inquebrantável por capricho desta vida!

Deu saudade da presença que me traz tranquilidade...
A paz leve e encantada de um abraço alentador...
Feito a brisa do inverno adentrando o rancho simples...
Terminando junto ao fogo, que aquece o nosso amor!

Deu saudade, e sempre ela, chega pra matear comigo...
Me entende e me conhece muito mais do que acredito...
Então durmo em meus silêncios, nostalgiando teus carinhos..
Pra te encontrar aos pouquinhos, num sonhar mais infinito...!


José Augusto Ferreira
Setembro - Primavera/2011
Dom Pedrito-RS






Foto: Bombeador Flickr - Crédito: Eduardo Amorim

11 de setembro de 2011




Das coisas da gente...


Um copo de vinho bebendo sereno na quincha gelada...
Retrata o silêncio que sonha solito na velha lareira...
Num rancho fronteiro que esconde segredos calando as geadas!
E sangra a saudade que mora no peito e rompe barreiras...!

(Um canto que espera...)

Um pátio que guarda um resto de ausência na árvore antiga...
Mesclando o cenário da tarde mais fria com a luz do acalanto...
O poema triste que nasce do pranto, do amor que se abriga
Na mesma varanda que vive às lembranças de todo o encanto...

(Sonhando acordado...)


E o sopro do vento que encontra meus olhos mais verdes que antes...
Naquela janela que avista a estrada – esperando então...
Parece que sinto tua alma tranquila e por um instante...
Percebo teus olhos que trazem silêncios de amor e paixão...


Um banco ancestral que se tornou cerne de um longo inverno...
À beira de um fogo que por primitivo refaz sentimentos
Das tantas histórias, dos sonhos mais doces, do beijo mais terno...
E dos mates buenos que bebem saudades e emponcham lamentos!

(Com a mesma saudade...)

Um resto de dia que dorme aos pouquinhos no rancho em ternura...
Que segue aquecido na leve magia do celeste amor...
Então cai a tarde, o frio logo chega com a noite escura...
Ficando com a ausência que dorme solita pelo corredor...! 

(Que não vai embora)!


(Um canto que espera, Sonhando acordado...
Com a mesma saudade, Que não vai embora)!





José Augusto Ferreira
Setembro, Outono 2011.


FOTO - Crédito: EDUARDO AMORIM

17 de agosto de 2011

Feito Algodão!


Meu sonho é feito algodão que sonha em vestes macias...
Que me envolve outonal pra invernar sua magia...
Um perfume adocicado, misturado com a leveza...
Que reúne em seus encantos todo o amor e a certeza!

Meu sonho é um longo abraço que traduz mais do que versos...
Quando a alma cria asas pra viajar no universo...
De um beijo mais demorado, da cantiga matinal
Das coisas simples do quarto, do aconchego do quintal...

Meu sonho é aquela casinha, que tenho em meus pensamentos...
Revestida de ternura, emponchada em sentimentos....
Feita de toda a doçura, com o céu cheio de estrelas...
De quando a noite se achega, e o amor sabe entendê-las!

Meu sonho é a leve fragrância que nela habita silente...
Ilumina a sala grande e ceva o mate da gente...
Um futuro que insone se mescla com cada plano...
Com juras de amor eterno, com encanto soberano...

Meu sonho é quando percebo que a nuvem em que andejo...
É aquele que me leva em paixão, canção e desejo...
Entendo então meus caminhos, da total simplicidade...
Das lonjuras do acalanto, que plantam serenidade!



José Augusto Ferreira
Inverno - Agosto/2011

11 de agosto de 2011

O Contador

O contador faz suas contas, em entender suas idéias...
E conta sempre noite a dentro, seus sonhos mais primitivos...
Nos seus segredos que mateiam, refaz as contas e epopéias...
Pra então contar pro mundo todo, das paixões que o mantém vivo!

Entre algarismos e equações, na racionalidade plena...
Flutua entre a distração de olhar pro céu, então se acalma...
Abraçadito no silêncio, que deixou fragrância soltas..
Pelo andejar mais vagaroso ligando - história, amor e alma... -

O contador deixou de lado os numerais da solidão...
Pra então correr atrás dos sonhos e fazer planos pra sua vida...
E foi contar novas histórias, com um sorriso bem mais largo...
Pois foi no amor que reencontrou sua essência enternecida!

Quem sabe estrelas conte agora, olhando o fim do por-de-sol...
Olhando além do horizonte, pela janela entre aberta...
Sabe que o tempo é sábio e justo, o seu caminho está traçado...
E todo o amor que foi plantado, hoje reencontra as descobertas...

Precebe os dias que se alongam, e a saudade que acompanha...
Mas sabe bem que seu futuro espera só o vento certo...
Tem o amor e tem sua alma - que é amada a todo o instante -
Que faz a estrada ser mais curta, e o sentimento ser mais perto!


José Augusto Ferreira
22 a 25 de Julho de 2011.
Inverno – Porto Alegre/RS

3 de agosto de 2011

Um longo abraço!

A vida troca a lógica dos fatos
E sábia, usa o tempo a seu favor
Indecifrável, as vezes nos maltrata
E nos regala a mágica do amor....

O Amor é o lado doce do silêncio
Antevisão celeste da amplidão
Se contrapõe aos fatos invisíveis...
...Clareando a essência simples do galpão!

O sentimento é a luz em plenitude...
A refletir nos olhos de quem tem...
É a alma que adormece e em vigília:
- Se entrega inteira por amar também! - 

E quantas vezes somos: - Campo aberto - 
Que espera a chuva calma, em dissonância...
Mas que traz no sorriso um longo abraço...
Pra diminuir saudade e a distância...

Assim, de olhos fechados: viajamos...
Sem compreender o que nos faz voar...
E se descobre então, um anjo lindo...
Que nos leva em seu braço, à flutuar...!

José Augusto Ferreira
Inverno, Agosto 2011.
Bagé - RS

16 de julho de 2011


Muito Além da Pátria Pampa!

Contemplo um resto de dia, escutando o canto antigo...
Com alma de invernia, que se aquece a cada mate...
O cusco baio do lado, caprichos, e um sonho bueno...

Parece que nada mudou do varzedo até a estância...
E que hoje o sonho em ânsia, acalantou os caminhos...
Pra bendizer os teus olhos, meu carinho mais sereno...

E tudo que foi plantado, junto à mágica dos dias..
Hoje me fazem costado quando a espera faz sombra...
E num sorriso me acalma, espantando a solidão...

O sol esconde o seu rosto, por detrás dos cinamomos..
O vento frio toma conta do lugar sem perceber...
E o rancho humilde carrega o calor de uma paixão...

Dois sentimentos que fazem do campo um só lugar...
Da lida simples dos dias, nos amores e intenções.
Dos agrados mais trigueiros, da flor que nasce do amor...

É como vejo os meus dias, que vão indo sem ter pressa.
Que se benzem em nostalgias, no silêncio do açude...
Mas te amam sem limites e atravessam o corredor...!

E é do jeito mais bueno que a fronteira se apresenta..
Num reencontro que a alma, nunca tratou de esquecer.
Junto à canção entoada, muito além da pátria pampa...

Traduzindo o azul celeste, como o céu que nos hermana...
Com alma de João de barro, que faz do ninho o viver...
De alma já renovada, mas mantendo firme a estampa...

Soy a vastidão do verde, que te quer por toda a vida...
Meu jeito simples pampero, se retrata em sentimentos...
Pra te ofertar o que tenho e na garupa levar-te...

As alpargatas surradas, que refletem a timidez...
E se tornaram tão gastas, pra te encontrar como prece...
Pra te falar dos anseios, da paixão que em mim plantaste...

Então hoje olho pro céu, que entende meus desejos...
Compondo então os arreios que me prendem ao Uruguai.
A pampa então se agiganta... No espelho do olhar...

Que ceva o mate da aurora, entre beijo e encantamento...
Começa a lida de novo, na paz do rancho que sente.
E faz a alma da gente se entender sem nem falar!

José Augusto Ferreira 
 Inverno, Julho 2011.

13 de julho de 2011

- Projetos

Ao me benzer de estrelas


Quem sabe eu perca a percepção dos olhares e das estrelas...
Por pura insensatez momentânea, e cale ante às desavenças, com medo de enfrentar o que não sei,
Acho por vezes que a inconstância dos meus dias me torna avesso ao que é novo.
Me benzo de estrelas... Olhando a noite pro céu..
Contemplo a imensidão do universo, o breu que a madrugada me oferece, entendendo os meus desencantos.
Como se quisesse fazer presença, o vento bate na frincha e se arrancha em meus pensamentos..
Frio e solidão, quem sabe me façam amadurecer um pouco mais, ou não..
Parece ser difícil compreender a distância do sonho e da realidade.
Mas sei que só eu mesmo posso dar um sentido pras coisas que me faltam..
E ao mesmo tempo refugar o que diante dos meus olhos perderam valia..
Se não o fiz ainda é porque não criei coragem pra estender minhas palavras sobre aqueles que se cobrem com as máscaras da ignorância e insensatez.
Me emponcho pra os dias frios que fazem, pra não ter que ver a hipocrisia aos meus olhos..
Sou eu mesmo, buscando sentido..

Me benzo de estrelas, não essas que iluminam a noite, mas estrelas de sentimentos melhores..!



José Augusto Ferreira

Inverno, Julho 2011.

(Fronteira e Elementos - Inspirações e Pampa
- Relatos Diversos)

8 de julho de 2011

- Como Mágica...!


O silêncio foi embora como mágica, como se uma onde de um vento novo atravessasse a campanha...
Um vento frio, mas com ares de aconchego, com jeito de dia bom, com um céu celeste em campo aberto...
Talvez me tornasse um guri junto à geada, mas me fiz homem perante as intempéries ao longo do tempo...
Acreditava que só o tempo era capaz de me mostrar o que ainda não tinha encontrado, pelo capricho de me calar diante da espera!
E ele foi capaz de me fazer acreditar até na imensidão da quietude, na sensação de paz, na intensidade do amor...
As coisas se tornam fáceis enquanto estão a sombra da presença, mas realmente se tornam difíceis quando estão à luz da espera...
Mas aprendi a esperar, o que é bom, o que é válido, o que me faz feliz...

- E aí que foi percebido, com o invadir da noite escura...
O melhor dos sentimentos, a tranquilidade, o som dos grilos...
A sensação de estar em outro plano, em outras existências, sem sair do lugar...
Como a sensibilidade se achega e faz morada em nosso peito, como se voltasse a ser uma criança...
Nem frio, nem calor, não é possível sentir sensação do ambiente alheio...
É irreal, imaterial, a vida dessa mundo passa a inexistir...
Apenas se vive paixão e intensidade, o mundo passa a ser um local onde as coisas acontecem, apenas isso..
O mundo em que vivo é outro, o mundo do "fazer acontecer", de quando um sonho voa, sem flutuar, sem fazer esforço...
O destino é mais sábio do que eu imaginava, me mantém conectado a esse mundo, mas vivendo em um outro... 
Isso é impossível? Não é mais, existe e é muy bueno!


- Assim, olho embaçado, pelo vidro da janela...
O mundo que está lá fora, é um mundo estranho ao meu...
A diferença se encontra no atravessar da cancela...
De lá escuto a impaciência, aqui vivo o apogeu!

Tenho um silêncio que escuto, que me traz tranquilidade...
Lá fora escuto apressado, os passos mais inquietos..
Meu amor é água doce, com o ar puro dessa cidade..
Mas se faz campo, e te tenho pra calar meus desafetos!


José Augusto Ferreira
Julho - Inverno 2001
Dom Pedrito, RS





4 de julho de 2011

Amor Celeste!

Então o azul mais celeste, pinta o céu de um belo dia..
O azul com a cor da noite brinda o fim de tarde frio...
A solidez do inverno gela o pasto que branqueia...
E a tez do amor mateia, com a alma em desafio!

Minuano andeja solto, com sua rigidez de vento...
E o vinho faz um alento quando o silêncio acompanha!
Mas teu sorriso de estrela ilumina o rancho inerte...
E a luz mantém-se firme no amanhecer da campanha!

Cruzo a distância da aurora e a estrada se apequena...
Ficando perto, onde escuto o amor dessa canção...
Assim o fogo me aquece de sonhos mais primitivos...
E tua imagem persiste - no campo - e invade o galpão!

Poesia simples de geada, que refletem os teus carinhos...
E quando fico sozinho, repenso a paixão que trago...
Que ceva o mate tranquilo, deixando a erva mais verde...
Pois dos teus olhos tem sede, sorvendo um resto de amargo!

O poncho guarda os segredos de um coração de alma leve...
Da solidão que por breve, dita o romance e a saudade...
Logo se faz primavera, e o sonho nasce com as flores...
Pra vivenciar os amores que se encontram em tua verdade!

José Augusto Ferreira
Julho - Inverno/2011

15 de junho de 2011

Incertezas

Incertezas

- Pra onde ir quando termina a estrada?
Vagar sozinho por caminho à fora...
Se a alma sente o frio da madrugada...
Como é que faz pro amor não ir embora?

- Se tudo tem sentido pra nascer...
Porque a vida leva junto dela...
O olhar mais doce que continha brilho?
- Morrendo ao sol que se põe na cancela –

- Se o amor é livre por que nos prendemos?
O que faz crer que amor não faz sofrer?
Parece que se contradiz a tudo...
Quando nos corta ao se transparecer!

Chora nos olhos de um amor antigo...
- Deixando a alma morrer lentamente –
Ressurge forte sob a paixão nova
- E cala o pranto, silenciosamente –

- Se tão avesso a ele é nosso instinto?
Como cobrar o amor de quem não tem?
Pois nos ensina a dor do sofrimento
Pra ensinar a gente amar também!

José Augusto Ferreira
Junho – Outono/2011
Bagé, RS

31 de maio de 2011

Idéia Breve!

Talvez tenha sido moldado da maneira mais crua a dor da solidão.
Mas eu bendigo o aprendizado, não o sofrimento...
Se hoje sento com meus amigos pra tomar um mate, agradeço...
Pra mim é o que atualmente tem de mais valor na minha vida.
Não me estabeleço por conceitos e sim por experiências.
De quem entende que é melhor errar querendo acertar, do que nem tentar...
Admiro atitudes e não palavras, prefiro ser eu mesmo, do que igual a tantos...
Me fiz amargo ao proteger meu coração do sofrimento...
Se souber chegar até ele novamente, ele estará lá
Mas agora não depende só da minha vontade!




Projeto Literário  - De Dentro - Divisão: Do amor Calado - 
José Augusto Ferreira
Maio - Outono/2011

25 de maio de 2011

Confissão de campo...

 - E assim passaram algumas primaveras, e lá estava..
Como se quisesse entender o que havia ocorrido com seu destino...
Entre alguns mates, se pôs a pensar que algumas coisas em sua vida aconteceram fora de lógica...
Costumava rotineiramente se queixar de seus problemas, por menor que fossem eles..
Semblante cisudo, xucro e fechado, escondia um coração cheio de sonhos.. com alguns meio aos pedaços...
Mas era ele atravessando várias eras, vários tempos, fazendo um caminho por dentro de si mesmo, procurando decifrar, o que não conseguiu durante alguns anos...
O cusco era o mesmo, já mouro, continuava também no seu ofício de companheiro, de todas as horas, talvez a unica compania que lhe fosse fiel desde o início, sempre ao seu lado, em todos os momentos...
O rancho sempre foi o mesmo desde a infância, até que mais taludo, acabou descobrindo "o tal do amor" que pra ele é  "bicho caborteiro, que se achega, pedindo doma, mas que é traiçoeiro...
Pode não te acusar o golpe, mas consegue levar a queda em segundos..."
Sempre pensava e repensava, que como alguém que era totalmente dependente do "bicho caborteiro", hoje não queria nem o ver chegar na porteira...
Eram muitas perguntas, poucas respostas, e assim foi toda a manhã.. entre mates e lembranças...
As impressões que carregava em seu interior era reflexo de um período inteiro...
Hoje era ele mesmo e a solidão, o vazio dos dias, o silêncio do rancho antigo...
O violão ainda era o mesmo, com cordas já gastas, mas com canções habituais a entoar silente...
Mas um dia sentado num banco rude de madeira, e ao abrir uma caixa antiga encontrou um papel amarelado...
Deduziu ser do seu Avô, afinal foi uma das poucas coisas que deixara no rancho antigo...


Nele continha as seguintes frases:


"Feito de barro e carinho, com mescla de amor e suor...
Num fundão de campo bueno, alma de terra e varzedo...
Morava peão e saudade, repartindo mate e silêncio...
Dividindo o mesmo espaço, entre ilusão e segredo!


Tinha o cusco por parceiro, fiel amigo pra os dias...
Em que a tristeza arranchava e invadia a frincha aberta..
Num galpão guardando sonhos que nasciam por metade..
E um canto de joão de barro preenchendo a alma deserta!


Se foram as primaveras, uma a uma, sem alarde..
E foi calando com a tarde o sentimento, o romance....
O amor foi canto e espera, a manhã e o arrebol...
Mas se vai hoje com o sol pra estar fora de alcance!


Nasceram mágoas no campo, nas flores e um resto amargo..
Mas a vida ensina sempre a viver sem guardar dor...
Sem respotas e caminhos, foi repensar seu destino...
Com a rudez no semblante, por pesar e dissabor...


Um dia olhou para o campo, viu que o verde ali estava
E viu que vida mostrava um caminho pra escolher...
Percebeu que tudo em volta perdeu o viço por ele...
O amor que então tivera - morreu por não florescer!


Aprendeu que sem dois lados não se alicerça uma história..
E hoje resta a memória de um amor que não vingou..
Um dia a vida nos mostra, que o sentimento é um legado
Se caminha acompanhado ou fica com o que restou!"








Ao terminar de ler aquilo, encheu seu olhos de lágrimas e começou a entender algumas dúvidas que nunca conseguiu responder...
O amor era mesmo um bicho caborteiro?
A vida tinha sido injusta?
Será que tinha medo de ser feliz? 
Então, guardou de volta na caixa o mesmo papel, e ao fazer o caminho do pátio até o interior do rancho... 
Se passaram cenas em seu pensamento...
Ainda assimilando o que aqueles versos tinham feito com a sua visão de vida...
Sentou, fez um mate bueno, acariciou o cusco "viejo", que parecia entender o que estava passando na sua mente naquele momento... 
Compreendeu que a sua vida era incompleta apenas por conta de si mesmo...
Foram vários mates ao longo dos dias...
O caminho segue... mas hoje se transformou por dentro...




Depois de duas décadas da sua infância é como se estivesse nascendo novamente...!




José Augusto Ferreira
Maio - Outono/11.