13 de maio de 2013


Pro teu beijo, ser batismo.

Um raio de plena paixão,
Fez-se luz na escuridão...
E toda a paz ascendeu,
Um sentimento mais terno,
Brotou no ventre materno,
Então nosso amor, nasceu!

Os anjos deram as mãos,
E a nossa transformação,
Fez do tempo um laço estreito,
Onde a pureza das juras,
Moldava a linda figura,
Que encatava com seu jeito.

O tempo me fez menino,
Frágil, meigo e pequenino,
Do teu colo fiz altar...
Minhas mãos tão delicidadas,
Ainda tão desastradas,
Teimou teu rosto tocar...

E quando o choro engasgava,
- O Silêncio que voltava,
Na tua canção de ninar...
Os anjos vinham nos ver,
Sem a gente perceber, 
Pra esse amor, abençoar..

E hoje mãe, a bondade,
Do teu olhar-majestade,
- Tua alma a transcender - 
Na tua voz meu sossego,
No teu abraço, o aconhego,
Em teu sorriso, o querer...

O meu anjo de ternura,
Moldada em plena doçura,
Deus me deu, em forma humana.
Mas eu te vejo com asas,
Rainha da nossa casa,
Na luz que teu ser emana!

O tempo cumpre a jornada,
E encurtamos a estrada,
Da inocência e do atavismo,
E quantas vezes chorei,
Nos teus braços eu deitei,
Pro teu beijo, ser batismo...

Das histórias bem contadas,
Da amizade enraízada,
De intensa cumplicidade,
À luz do ensinamento,
Fez caminho, onde sustento...
A tua fraternidade!

Eu me tornei bem mais forte,
Mas teu olhar foi meu norte,
Na tristeza e indecisão,
E quando a mágoa visita,
No teu silêncio habita,
- Silenciosa redenção - 

Ainda tenho a saudade,
De um tempo que me invade,
Trazendo em si, nostalgia...
Mas o nosso amor é ciência,
Vai além dessa existência,
E se renova a cada dia!

"Mãe, bem sei de toda a saudade, de um tempo que foi pra nós, um pedaço de papel,
Da escrita do amor em dourado, do choro abençoado, da paz em forma de luz,
Da noite em claro de alento, da esperança em tarde escura, de inverno e de carinho,
Do teu suave perfume, da fragrância em primavera, do teu sorriso em flor,
Eu bem sei dos teus segredos, mas sabe bem mais de mim,
Quando o dia em ti amanhece, meu destino faz sentido, e pouco sei dessa vida...
No teu afeto refaço, uma prece bem baixinho, pra abençoar teu destino, humilde à ti me ajoelho:

- Mãe ainda sou criança
Papai do céu te proteja,
E onde quer que eu esteja
Que eu te veja minha esperança..."

José Augusto Ferreira
Maio/2013
Outono - Dia das Mães

10 de maio de 2013


Rancho Solidão


Um dia eu construí o rancho, aquele mesmo, na beira da sanga, do pastiçal, do varzedo encoberto pelas nuvens!
Naqueles confins de campo, emponchado de geadas e de um maio interminável.
Eu fiz verão pra que não sentisse frio, arrumei o jardim da nossa casa, da mesma forma que teu sorriso havia feito com o meu destino, cuidei de limpar cada cantinho do nosso rancho, ainda que eu fizesse sozinho, nunca me importei com isso, minha única vontade é que pudéssemos ser nós dois ali, com o passar do tempo.
Providenciei as chaves, por mais que o meu desejo era que ele não tivesse tramelas, mas tive medo de deixar aberto e te perder no vento mais frio daquele inverno.
A insegurança me deixou ao relento do acaso, e eu me perdi trancado no porão das minhas memórias, chorei as mágoas num pedaço de papel, que secou as lágrimas no avesso da saudade.
No fim eu fiquei lá, não perguntaram se eu queria “caseriar”, mas acabei sendo vencido pelo cansaço do trabalho, de toda a dor, do lamento fustigante.
O rancho não era nosso, nunca foi, o pior foi descobrir que ele não era meu também, mesmo que tenha construído, ele deixou de ser meu em tua ausência consumada, deixou se ser lar, de ser luz, deixei escapar por entre os dedos.
Reconstruí meus pensamentos, porque sempre esperei demais das pessoas, que não tinham o  “demais” pra me mostrar o caminho ou eu tenha sobrado "demais" no meu próprio desengano.
Me mantenho seguro porque a segurança é um reflexo do que não tive e por vezes não tenho.
Me tornei incrédulo, porque me iludi com facilidade.
Hoje escondo o sorriso, porque não quero que fique à mostra.
Andei por tempos perdido por ter que sempre me encontrar à sombra dos outros, vivendo à ilusão de ter alguém ao meu lado.


José Augusto Ferreira
Maio/2013
Outono