16 de julho de 2011


Muito Além da Pátria Pampa!

Contemplo um resto de dia, escutando o canto antigo...
Com alma de invernia, que se aquece a cada mate...
O cusco baio do lado, caprichos, e um sonho bueno...

Parece que nada mudou do varzedo até a estância...
E que hoje o sonho em ânsia, acalantou os caminhos...
Pra bendizer os teus olhos, meu carinho mais sereno...

E tudo que foi plantado, junto à mágica dos dias..
Hoje me fazem costado quando a espera faz sombra...
E num sorriso me acalma, espantando a solidão...

O sol esconde o seu rosto, por detrás dos cinamomos..
O vento frio toma conta do lugar sem perceber...
E o rancho humilde carrega o calor de uma paixão...

Dois sentimentos que fazem do campo um só lugar...
Da lida simples dos dias, nos amores e intenções.
Dos agrados mais trigueiros, da flor que nasce do amor...

É como vejo os meus dias, que vão indo sem ter pressa.
Que se benzem em nostalgias, no silêncio do açude...
Mas te amam sem limites e atravessam o corredor...!

E é do jeito mais bueno que a fronteira se apresenta..
Num reencontro que a alma, nunca tratou de esquecer.
Junto à canção entoada, muito além da pátria pampa...

Traduzindo o azul celeste, como o céu que nos hermana...
Com alma de João de barro, que faz do ninho o viver...
De alma já renovada, mas mantendo firme a estampa...

Soy a vastidão do verde, que te quer por toda a vida...
Meu jeito simples pampero, se retrata em sentimentos...
Pra te ofertar o que tenho e na garupa levar-te...

As alpargatas surradas, que refletem a timidez...
E se tornaram tão gastas, pra te encontrar como prece...
Pra te falar dos anseios, da paixão que em mim plantaste...

Então hoje olho pro céu, que entende meus desejos...
Compondo então os arreios que me prendem ao Uruguai.
A pampa então se agiganta... No espelho do olhar...

Que ceva o mate da aurora, entre beijo e encantamento...
Começa a lida de novo, na paz do rancho que sente.
E faz a alma da gente se entender sem nem falar!

José Augusto Ferreira 
 Inverno, Julho 2011.

13 de julho de 2011

- Projetos

Ao me benzer de estrelas


Quem sabe eu perca a percepção dos olhares e das estrelas...
Por pura insensatez momentânea, e cale ante às desavenças, com medo de enfrentar o que não sei,
Acho por vezes que a inconstância dos meus dias me torna avesso ao que é novo.
Me benzo de estrelas... Olhando a noite pro céu..
Contemplo a imensidão do universo, o breu que a madrugada me oferece, entendendo os meus desencantos.
Como se quisesse fazer presença, o vento bate na frincha e se arrancha em meus pensamentos..
Frio e solidão, quem sabe me façam amadurecer um pouco mais, ou não..
Parece ser difícil compreender a distância do sonho e da realidade.
Mas sei que só eu mesmo posso dar um sentido pras coisas que me faltam..
E ao mesmo tempo refugar o que diante dos meus olhos perderam valia..
Se não o fiz ainda é porque não criei coragem pra estender minhas palavras sobre aqueles que se cobrem com as máscaras da ignorância e insensatez.
Me emponcho pra os dias frios que fazem, pra não ter que ver a hipocrisia aos meus olhos..
Sou eu mesmo, buscando sentido..

Me benzo de estrelas, não essas que iluminam a noite, mas estrelas de sentimentos melhores..!



José Augusto Ferreira

Inverno, Julho 2011.

(Fronteira e Elementos - Inspirações e Pampa
- Relatos Diversos)

8 de julho de 2011

- Como Mágica...!


O silêncio foi embora como mágica, como se uma onde de um vento novo atravessasse a campanha...
Um vento frio, mas com ares de aconchego, com jeito de dia bom, com um céu celeste em campo aberto...
Talvez me tornasse um guri junto à geada, mas me fiz homem perante as intempéries ao longo do tempo...
Acreditava que só o tempo era capaz de me mostrar o que ainda não tinha encontrado, pelo capricho de me calar diante da espera!
E ele foi capaz de me fazer acreditar até na imensidão da quietude, na sensação de paz, na intensidade do amor...
As coisas se tornam fáceis enquanto estão a sombra da presença, mas realmente se tornam difíceis quando estão à luz da espera...
Mas aprendi a esperar, o que é bom, o que é válido, o que me faz feliz...

- E aí que foi percebido, com o invadir da noite escura...
O melhor dos sentimentos, a tranquilidade, o som dos grilos...
A sensação de estar em outro plano, em outras existências, sem sair do lugar...
Como a sensibilidade se achega e faz morada em nosso peito, como se voltasse a ser uma criança...
Nem frio, nem calor, não é possível sentir sensação do ambiente alheio...
É irreal, imaterial, a vida dessa mundo passa a inexistir...
Apenas se vive paixão e intensidade, o mundo passa a ser um local onde as coisas acontecem, apenas isso..
O mundo em que vivo é outro, o mundo do "fazer acontecer", de quando um sonho voa, sem flutuar, sem fazer esforço...
O destino é mais sábio do que eu imaginava, me mantém conectado a esse mundo, mas vivendo em um outro... 
Isso é impossível? Não é mais, existe e é muy bueno!


- Assim, olho embaçado, pelo vidro da janela...
O mundo que está lá fora, é um mundo estranho ao meu...
A diferença se encontra no atravessar da cancela...
De lá escuto a impaciência, aqui vivo o apogeu!

Tenho um silêncio que escuto, que me traz tranquilidade...
Lá fora escuto apressado, os passos mais inquietos..
Meu amor é água doce, com o ar puro dessa cidade..
Mas se faz campo, e te tenho pra calar meus desafetos!


José Augusto Ferreira
Julho - Inverno 2001
Dom Pedrito, RS





4 de julho de 2011

Amor Celeste!

Então o azul mais celeste, pinta o céu de um belo dia..
O azul com a cor da noite brinda o fim de tarde frio...
A solidez do inverno gela o pasto que branqueia...
E a tez do amor mateia, com a alma em desafio!

Minuano andeja solto, com sua rigidez de vento...
E o vinho faz um alento quando o silêncio acompanha!
Mas teu sorriso de estrela ilumina o rancho inerte...
E a luz mantém-se firme no amanhecer da campanha!

Cruzo a distância da aurora e a estrada se apequena...
Ficando perto, onde escuto o amor dessa canção...
Assim o fogo me aquece de sonhos mais primitivos...
E tua imagem persiste - no campo - e invade o galpão!

Poesia simples de geada, que refletem os teus carinhos...
E quando fico sozinho, repenso a paixão que trago...
Que ceva o mate tranquilo, deixando a erva mais verde...
Pois dos teus olhos tem sede, sorvendo um resto de amargo!

O poncho guarda os segredos de um coração de alma leve...
Da solidão que por breve, dita o romance e a saudade...
Logo se faz primavera, e o sonho nasce com as flores...
Pra vivenciar os amores que se encontram em tua verdade!

José Augusto Ferreira
Julho - Inverno/2011