22 de outubro de 2011

Nunca te vi de outro jeito..


Cantiga primaveril entoada sob os rastros sublimes de outros tempos, que se insere em cada acorde desse tempo...
Um perfume breve de campo aberto, das folhas em renascimento, da presença inconfundível em versos simples...
Por vezes apenas observo a mágica constante compreendendo que tudo que existe e que não está em nossas mãos é divino e não é por acaso..
Em alguns momentos procurei decifrar o que não era necessário...
Bastava apenas fechar os olhos e num estágio de introspecção entender que sabemos sempre o que nos faz bem e feliz muito antes até de tirar as conclusões definitivas...
Hoje tenho a certeza que nunca te vi de outro jeito que não fosse esse!
Do qual meus sentidos absorvem a essencialidade de um sentimento puro, simples e intenso...
Fizeste com que as primaveras de outros tempos se transportassem para os meus dias
Me sinto deitado à sombra daquela mesma árvore em que conjurávamos todos os dias o amor que compartilhamos até hoje...
A tranquilidade repousa sobre o que plantamos num passado distante, mas proporcionalmente perto dos nossos espíritos entrelaçados..
Nunca te vi de outro jeito, na verdade nem sei se exite outro porque nos resumimos em um princípio só, na simplicidade dos valores que buscamos...
É como a paz que se resume na brisa melodiosa e infinda que andeja por todo esse pampa, a sensação de encantamento indelével...
Pra mim nosso amor se resume em imensidão, como o universo, qual as estrelas que se agrandam na noite escura...
Mesmo que por vezes tenha que caminhar apressadamente na rotina impaciente dos dias que se vão e que me exige um lado mais sério...
Deixo o meu pedaço mais verdadeiro cuidando do rancho no nosso mundo comum..
Para que abra a janela todos os dias fazendo com que os fachos de luz entrem e iluminem a varanda grande...
Para que aqueça a água e ceve o mate do desejo, da entrega...
Para se nutrir da humildade e da compreensão diária...
Para roubar-te um beijo antes de sair pra lida...
Para que assim por toda a vida cumpra as juras do reencontro, se estendendo por outras eras..
Nunca te vi de outro jeito, te vi assim sempre, a mescla da simplicidade com a solidez..
Te vi um dia como o prefácio de um livro, como a semente de ipê, como o princípio do inverno...
Te vejo como a inspiração, como o florescer primordial, como as estações essenciais para o equilíbrio..
Talvez o mundo tenha mudado com o passar dos tempos, com os sucessivos quartos de lua..
Mas nunca te vi de outro jeito!


José Augusto Ferreira
Primavera - Outubro/2011
Dom Pedrito -RS














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