3 de março de 2011

Versos de Quinta...

Naquela Tarde de Abril

A solidão é uma rédea que nos dita as coordenadas
E quando manda na gente, trás a dor apresilhada...!
Consome o tempo, se achega e faz morada na alma...
Mas se abranda em cada gesto, nos mates de hora calma...

Um fim de dia apontava naquela tarde de abril...
Quando a saudade emponchava, provando o gosto do frio
Mas olhares de acalanto cruzaram então meu destino...
Pra calar minhas angústias, nascendo um amor repentino...

Me lembro de forma clara, os olhos com luz contida
Iluminando os caminhos, qual paixão pra toda vida...
Senti neles a essência, com instinto de ternura...
E foi tomando o meu jeito, preenchendo a alma pura...!

Felicidade e utopia, na imensidão me contaram...
Um segredo que guardei, pelos dias que passaram...
Mas de forma inesperada, na nuvem foi se afastando...
A estrela que cuidava, quando a noite ia chegando...

Ficou triste as madrugadas, sem a luz que um dia tive...
Compreender é um mistério, que até hoje em mim revive...
Ainda vejo a estrada, que em minha rotina faz parte...
Mas sinto falta dos olhos, dos sonhos, daquele mate...

E o perfume perdura, cicatrizou-se em cada gesto...
A fragrância que ainda vive, também se mantém por perto...
Hoje choram aqueles versos, que levei junto comigo...
Naquela tarde de abril, que levou meu amor consigo...!


José Augusto Ferreira
Março, Verão 2011.

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