E um dia, em algum escrito rupestre, vou compreender porque a água do meu mate, esfria antes mesmo de pronunciar o teu nome em silêncio, como um encanto em desatino. Ainda que não saiba o teu nome, eu imagino, como uma saudade lancinante.
Na estrada onde o horizonte é mais perto, a brisa mais espessa e a alegria de chegar, transcende a alma, as casas, o galpão e um resto do arvoredo que sobrou do forte inverno.
Prometi, me benzendo no açude da estância, que ainda que meus dias terrunhos fossem provas de dissonância, eu faria o meu caminho à espera da primavera, sem dor, sem lamento, em teu nome de acalanto, em tua paz de cinamomo. A desconhecida sensação do inevitável, num fim de tarde, no pago em canção.
Te jurei de pés descalços, um poema pela noite, um mate pela manhã.
Sem deixar cair dos olhos uma lágrima que fosse, com o chapéu em minhas mãos.
Hoje venho com a voz em sussurro, bendizer o destino, pra aceitar em minha vida, o que ainda não sei, que ainda não senti, que ainda nem quis ao certo.
Vou libertar-me do acaso e procurar um lugar, onde eu acampe meus dias, num poso bem mais tranquilo, na garupa levo a viola, um pedaço de papel, uma lua prateada e uma estrela lá do céu!
29.11.2013
Primavera/2013
Novembro
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