Eu fiz uma milonga, pra clarear tristezas, me mostrar
verdades quando a noite vem...
E fui forjando sonhos em cada sonido, nos bordões marcados,
à esperar alguém
A melodia inteira foi tomando conta, de cada caminho, como
a me guiar...
Campeou a noite grande de alma fronteira, e me fez costado
nesse chimarrear...
Eu fiz uma milonga pra falar de amores, pra calar as dores
que minh'alma trás...
De quando a alma verte os seus desenganos, e em cada
tristeza morre um “poco más”.
Cravou a espora velha da canção antiga, pra mostrar que a
vida trás os pés no chão.
Então me fiz milonga nessas horas frias, pra esquentar a
alma, pra estender a mão...
Milonga assim te faço com a maula saudade e mesclo a
essência da tarde comprida...
Na ponta do teu laço, me prende em silêncio, e faz compania
na dor e na vida...
E com teu jeito bueno, me faz mais sereno, me conta os
segredos e te faz bendita...
Se tudo cala em volta, te entendo com os olhos, pois sabe o
que penso minha milonguita!
Eu fiz uma milonga pra cruzar a estrada, que por mais
distante hoje trás recuerdos...
Assim, pra impor respeito, te fiz mais ponteada, te fiz
madrugada, pra curar meus medos...
Hoje a ausência assume a forma de lua nova e invade a cada
noite pela quincha aberta...
Mas tu por mais esperta se transforma em nuvem, e em
certeiro acorde, vem e acoberta!
José Augusto Ferreira
Verão, Março 2011.
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