6 de fevereiro de 2013

MILONGUITA


MILONGUITA

Eu fiz uma milonga, pra clarear tristezas, me mostrar verdades quando a noite vem...
E fui forjando sonhos em cada sonido, nos bordões marcados, à esperar alguém
A melodia inteira foi tomando conta, de cada caminho, como a me guiar...
Campeou a noite grande de alma fronteira, e me fez costado nesse chimarrear...

Eu fiz uma milonga pra falar de amores, pra calar as dores que minh'alma trás...
De quando a alma verte os seus desenganos, e em cada tristeza morre um “poco más”.
Cravou a espora velha da canção antiga, pra mostrar que a vida trás os pés no chão.
Então me fiz milonga nessas horas frias, pra esquentar a alma, pra estender a mão...

Milonga assim te faço com a maula saudade e mesclo a essência da tarde comprida...
Na ponta do teu laço, me prende em silêncio, e faz compania na dor e na vida...
E com teu jeito bueno, me faz mais sereno, me conta os segredos e te faz bendita...
Se tudo cala em volta, te entendo com os olhos, pois sabe o que penso minha milonguita!

Eu fiz uma milonga pra cruzar a estrada, que por mais distante hoje trás recuerdos...
Assim, pra impor respeito, te fiz mais ponteada, te fiz madrugada, pra curar meus medos...
Hoje a ausência assume a forma de lua nova e invade a cada noite pela quincha aberta...
Mas tu por mais esperta se transforma em nuvem, e em certeiro acorde, vem e acoberta!


José Augusto Ferreira
Verão, Março 2011.

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