Não me olha com piedade,
Não te enxergo solução,
Não me peça compreensão,
Do que pra mim é passado...
Meu canto é o mesmo de antes,
Os versos talvez mudaram,
Mas as mágoas que ficaram...
Destoou das dissonantes!
Tenho um lote de saudades,
Que não se compram em bolicho,
Que conquistei por capricho,
Ou um por simples abraço...
Sei que andar é preciso,
Mas hoje espero sem pressa
A solidão que me resta,
É a falta de algum sorriso!
Escuto a voz do silêncio,
É o que tenho e me basta,
Pela cantiga mais vasta...
Tranquilidade e poesia,
Moldado à velha tristeza
Um retrato emoldurado,
De quem tivera um legado
E hoje tem incerteza!
Do que não sinto e me prende,
Tenha ficado esperando,
Uma promessa soando,
Perdida pelo caminho...
Mas hoje descalço, eu ando,
Pisando firme, sem medo,
E o que um dia era medo,
Hoje vai cicatrizando!
Me desculpas as aspas do silêncio,
A dor da espera,
A canção não terminada,
O mate por cevar...
Talvez tivesse então perdido,
Um olhar enternecido...
Que se cala ao te encontrar!
José Augusto Ferreira
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