6 de fevereiro de 2013

O LENÇO



O lenço sangra a saudade que a distancia impõe sem medo...
E nele guardo o segredo, porque há de ser verdade...
Há de lutar pelos olhos, que se fizeram morada...
Ao sonhar nas madrugadas, te encontrar num fim de tarde...!

O lenço empresta a sua seda que abriga toda a fragrância
De um amor que invade a estancia e se estende vida a fora...
Fica nele o sentimento, que renasce a cada encontro...
Mas guarda e pena a saudade, de um outro que foi embora!

Assim o lenço pampeano, se fez um memorial vivo...
Um tecido primitivo, com sentidos ancestrais...
Foi sinuelo de baguais que sangraram nas coxilhas
E se fizeram partilha ao lenço dos imortais

O lenço trança as amarras, num orgulho de outros tempos.
E vê na força dos ventos, o minuano a lhe guiar...
Mas quando a tudo desata, na ausência faz abrigo...
E o que trazia consigo, vai se espalhando no ar!

O lenço faz com que o nó, ate em si mesmo uma crença.
De trazer na descendência, verdades que não se vendem.
Por sua estampa mais firme, enternece em seu silêncio...
Calando tudo o que penso nessas horas que transcendem!

Vezes buscando caminhos, num galope mais firmado
O lenço por maragato, vê no sol sua metade.
Semblante de claridade trazendo luz diante as sombras
E esvoaçando desponta retratos de liberdade!


José Augusto Ferreira /Matheus Costa

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