O lenço sangra a saudade que a distancia impõe sem
medo...
E nele guardo o segredo, porque há de ser verdade...
Há de lutar pelos olhos, que se fizeram morada...
Ao sonhar nas madrugadas, te encontrar num fim de
tarde...!
O lenço empresta a sua seda que abriga toda a fragrância
De um amor que invade a estancia e se estende vida a
fora...
Fica nele o sentimento, que renasce a cada
encontro...
Mas guarda e pena a saudade, de um outro que foi
embora!
Assim o lenço pampeano, se
fez um memorial vivo...
Um tecido primitivo, com
sentidos ancestrais...
Foi sinuelo de baguais que
sangraram nas coxilhas
E se fizeram partilha ao
lenço dos imortais
O lenço trança as amarras,
num orgulho de outros tempos.
E vê na força dos ventos, o
minuano a lhe guiar...
Mas quando a tudo desata, na
ausência faz abrigo...
E o que trazia consigo, vai
se espalhando no ar!
O lenço faz com que o nó, ate em si mesmo uma
crença.
De trazer na descendência, verdades que não se
vendem.
Por sua estampa mais firme, enternece em seu
silêncio...
Calando tudo o que penso nessas horas que
transcendem!
Vezes buscando caminhos, num galope mais firmado
O lenço por maragato, vê no sol sua metade.
Semblante de claridade trazendo luz diante as
sombras
E esvoaçando desponta retratos de liberdade!
José Augusto Ferreira /Matheus Costa
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